quinta-feira, 12 de julho de 2012

O VALOR DAS GREVES NA EDUCAÇÃO

        
Nós, PROFESSORES AUTOCONVOCADOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG), reunidos em assembleia no dia 30 de Maio de 2012, motivados pelo movimento de greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior, viemos a público expressar nossa concordância com este movimento que reivindica a reestruturação da carreira docente, a valorização do piso salarial, a incorporação das gratificações e a melhoria das condições de trabalho dos professores universitários.
        Essa greve teve, em poucos dias, grande adesão de IFES de todo o país, revelando uma forte insatisfação da categoria dos professores diante do não cumprimento pelo governo do acordo firmado em 2011 sobre a reestruturação da carreira. Essa insatisfação vem sendo germinada há anos e tem se intensificando especialmente pelo acúmulo de problemas nas condições de trabalho.
        A história da educação no Brasil demonstra que as conquistas dos trabalhadores desse setor fundamental tem sido resultado de processos de mobilização e luta, incluindo diversas greves que marcam o passado e o presente.
        No nosso tempo presente, temos assistido a várias greves no setor da educação. Em 2011 os professores da rede estadual de Minas Gerais fizeram uma greve de mais de 100 dias. Em 2012, os professores da educação infantil da rede municipal de Belo Horizonte também realizaram uma greve.
        Neste momento, os professores e estudantes da maioria das Instituições Federais de Ensino Superior do país, bem como os servidores técnico-administrativos das IFES (incluindo a UFMG) estão em greve.
        Esses movimentos de paralisação colocam para nós, docentes da UFMG, a responsabilidade com a defesa da qualidade da educação pública em seus  diferentes níveis e a necessidade de um posicionamento claro em relação aos temas relativos à nossa carreira, nossas condições de trabalho, nossas realizações, problemas e perspectivas que implicam no tipo de universidade que queremos para o presente e para o futuro desse país.
        Nós, PROFESSORES AUTOCONVOCADOS DA UFMG, consideramos a importância estratégica e fundamental da expansão do ensino superior público em curso nas IFES e queremos que este processo avance cada vez mais, com qualidade e produção de conhecimentos socialmente relevantes. Porém, são muitas as contradições acumuladas na implementação do REUNI e na criação de novas vagas e universidades no interior sem o investimento devido. Tal expansão tem provocado uma sobrecarga de trabalho enorme, salas super-lotadas, sem contar com estrutura física, equipamentos, laboratórios e bibliotecas suficientes.
        Entendemos que a luta pela democratização da educação superior pública passa também pela valorização de seu quadro docente e de seus quadros não docentes, daí a necessidade de uma luta conjunta de professores, funcionários técnicoadministrativos em educação e estudantes em defesa de uma universidade de fato pública, democrática e aberta aos desafios de seu tempo histórico.
        Por isto consideramos fundamental o apoio ativo dos estudantes, participando conjuntamente em assembleias, debates, atos de rua e outras atividades. Hoje em todo o mundo a juventude tem demonstrado um grau de consciência elevado, e suas lutas revelam a compreensão de que os problemas locais fazem parte de uma estrutura de sociedade que revela sua faceta nos altos índices de desemprego e de persistência de políticas contra os trabalhadores em geral.
        O movimento de greve dos docentes traz para nós o desafio e a urgência de debatermos a universidade, nossa carreira, nosso tempo, nossa energia, nossa produção acadêmica e científica, os problemas do produtivismo quantitativo e a nossa organização política enquanto docentes da UFMG e do
serviço público federal.
        Os PROFESSORES AUTOCONVOCADOS DA UFMG em assembleia na Faculdade de Educação da UFMG declararam concordância com o movimento de greve nacional de docentes, reconhecendo a legitimidade de suas reivindicações, que também são nossas, pela reestruturação da carreira,
recomposição dos salários e melhoria das condições de trabalho. Acreditamos que, para além dessa pauta, a greve é fundamentalmente em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada.

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