quinta-feira, 10 de junho de 2010

Entenda o que é o bloqueio à Gaza

A Faixa de Gaza vive sob bloqueio imposto por Israel desde que o grupo islâmico Hamas foi eleito na região, em junho de 2007.

A Anistia Internacional chamou o bloqueio de "punição coletiva" que resulta em uma "crise humanitária"; funcionários da ONU descreveram a situação como "preocupante" e como "sítio medieval", mas Israel diz que não há desabastecimento em Gaza, justificando que permite, sim, a entrada de ajuda no território.

O que entra e sai de Gaza, e que impacto isso tem?

Na esteira da chegada do Hamas ao poder, Israel afirmou que permitiria apenas a entrada de suprimentos humanitários na Faixa de Gaza, mas na prática impede a ONU e ativistas solidários pró-Palestina a entregarem os suprimentos à população. O país tem uma lista de itens que poderiam ser usados para "fabricar armas", como canos de metal e fertilizantes. Esses itens não podem entrar, à exceção de em "casos especiais humanitários". Não foi publicada, entretanto, qualquer lista do que pode ou não pode entrar em Gaza, e os itens variam de tempos em tempos.

A lista da agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos, a UNRWA, tem itens de uso doméstico que tiveram entrada proibida várias vezes, como lâmpadas, velas, fósforos, livros, instrumentos musicais, giz de cera, roupas, sapatos, colchões, lençóis, cobertores, massa para cozinhar, chá, café, chocolate, nozes, xampu e condicionador.

Muitos outros artigos - que vão de carros e frigideiras a computadores - quase sempre têm entrada recusada. Materiais de construção como cimento, concreto e madeira tiveram entrada quase sempre proibida até o começo de 2010, quando uma pequena quantidade de vidro, madeira e alumínio foi autorizada.

Israel diz que o Hamas desviou ajuda no passado, e que poderia se apropriar de materiais de construção para seu próprio uso. Agências de ajuda respondem afirmando que têm sistemas de monitoramento rígidos em vigor.

Agências de ajuda humanitária que operam em Gaza dizem que conseguem, em grande parte, transportar suprimentos básicos como farinha e óleo de cozinha para o território.

Mas a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), diz que 61% dos moradores de Gaza vivem em uma situação de "insegurança alimentar".

Metade dos 1,5 milhão de moradores de Gaza depende da UNRWA e de seus suprimentos de comida. A distribuição de comida pela UNRWA foi suspensa várias vezes desde junho de 2007, como resultado do fechamento das fronteiras ou de racionamento de comida. Os pacotes de ajuda da UNRWA respondem por cerca de dois terços das necessidades alimentares dos palestinos em Gaza, e precisam ser complementadas por laticínios, carne, peixe, frutas frescas e legumes.

Mas com o desemprego em 40%, segundo estima a ONU, alguns moradores de Gaza não podem comprar o básico, mesmo se eles estiverem disponíveis.

A UNRWA afirma que o número de moradores de Gaza incapazes de comprar itens como sabão e água potável triplicou desde 2007. Uma pesquisa realizada pela ONU em 2008 revelou que mais da metade dos domicílios de Gaza vendeu o que tinha e depende de crédito para comprar comida.

Três quartos dos habitantes da região compram menos comida do que no passado, e quase todos estão comendo menos frutas, legumes e verduras frescos e proteínas, para economizar.

A operação militar de Israel em dezembro e janeiro de 2009 prejudicou significativamente a transferência de alimentos e sua distribuição, além de ter causado prejuízos à agricultura que a FAO estima estar na ordem dos US$ 180 milhões.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço das crianças com menos de 5 anos e de mulheres em idade fértil em Gaza estão anêmicos.

11 comentários:

Revistacidadesol disse...

Fábio, Daniel e Alex:

Gostaria de um artigo esclarecendo porque não está sendo possível formar uma frente única como em 2006, unindo PSTU, PSOL e PCB.

Abs do Lúcio Jr.

Corrente Sindical Unidade Classista disse...

Prezado Lúcio, segue um texto abaixo que pode ajudar a entender as razões pelas quais a frente não será reeditada este ano, pelo menos nacionalmente, e em alguns estados.

Forte abraço,

Daniel

POR QUE O PCB VAI APRESENTAR CANDIDATURA PRÓPRIA NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Nota Política do PCB

O PCB julga-se no dever de esclarecer:

1 – Não nos imiscuímos em assuntos internos de outros partidos. Assim sendo, como partido, não temos nem preferências nem vetos em relação aos dignos e valorosos companheiros do PSOL que disputam internamente a indicação como candidato à Presidência da República.

2 – Em programa institucional no próximo dia 25 de março, em cadeia nacional de rádio e televisão, informamos ao povo brasileiro a determinação de nos apresentarmos nas eleições presidenciais deste ano com identidade própria, sem prejuízo de coligações, no campo da oposição de esquerda, em algumas eleições estaduais. A data do anúncio coincide com o aniversário de 88 anos do PCB, fundado em 25 de março de 1922.

3 – Esta atitude é conseqüente com nossa postura desde o início de 2006, quando já deixávamos claro que não estávamos procurando uma mera coligação eleitoral e muito menos candidaturas, mas a construção de um bloco na perspectiva de uma frente anti-imperialista e anticapitalista permanente, para além do PCB, PSOL e PSTU (incluindo movimentos e organizações populares) e para além das eleições.

4 – Em 2006, a coligação eleitoral então denominada “Frente de Esquerda” dissolveu-se, na prática, dois meses antes das eleições. Suas únicas reuniões, até junho de 2006, tiveram como pauta exclusiva os acordos em torno de candidaturas. Desde então, não houve qualquer reunião trilateral e, no caso pelo menos do PCB, nem bilateral, além de episódicos e superficiais contatos regionais.

(continua abaixo)

Corrente Sindical Unidade Classista disse...

5 – Para o PCB, foi equivocado o desinteresse em discussões sobre a conjuntura, a tática e estratégia dos caminhos ao socialismo, que gerassem consensos programáticos. Fizemos em 2006 uma campanha presidencial sem programa, abrindo espaço para a então candidata da coligação expor suas opiniões pessoais que, em muitos casos, não correspondiam nem às do seu próprio partido.

6 – Jamais, enquanto partidos, confrontamos nossos pontos de vista sobre qualquer tema, sendo que em alguns temos divergências importantes, algumas inconciliáveis. Entre estas, há questões que nos são muito caras, como a necessidade de criação de uma organização intersindical classista que seja baseada na centralidade da luta do trabalho contra o capital, a atualidade da construção de uma frente anticapitalista e anti-imperialista para além do economicismo e das eleições e o internacionalismo proletário, com a solidariedade firme e inequívoca à Revolução Socialista cubana, aos processos de mudanças na Venezuela e na Bolívia, ao povo palestino e aos demais povos em luta.

7 – Sempre defendemos a necessidade de uma construção programática que envolvesse muito mais que os três partidos da Frente de Esquerda, com vistas à formulação de uma alternativa de poder que venha a se contrapor ao bloco conservador, como ponto de partida de possíveis coligações eleitorais, evitando que a disputa e decisão sobre os nomes e candidatos ocorra antes e, na maioria das vezes, no lugar da discussão programática de eixos mínimos que possam representar a reorganização de um bloco revolucionário do proletariado.

8 – No entanto, estamos no final de março de 2010 e até agora só temos notícias das intenções dos partidos que compuseram aquela coligação pelos meios de comunicação ou por informes que nos chegam sobre o processo de escolha de candidatura presidencial no PSOL, que começou com a opção de Heloísa Helena por disputar o Senado, depois o desencontro previsível com Marina Silva e agora com a disputa interna ainda em curso.

9 - Não podemos deixar de registrar também nossa contrariedade com os rumos tomados pela então Frente de Esquerda, no que tange aos parlamentares eleitos com a soma de votos de dezenas de candidatos dos três partidos que a compuseram. Os mandatos, em especial os de âmbito nacional, não contribuíram para a unidade e a continuidade da mesma. Como acontece com os partidos convencionais, foram tratados como de propriedade dos eleitos, sem qualquer interação ou mesmo consulta política aos partidos que os elegeram. A preocupação principal desses mandatos foi garantir a própria reeleição.

10 – Queremos manter com os partidos, organizações e movimentos classistas que, como nós, vêem a ruptura do capitalismo como a única possibilidade de transição para o socialismo, uma relação independente, baseada em consensos programáticos e na ação unitária no movimento de massas, o que não significa necessariamente estarmos juntos nas mesmas entidades, organizações e coligações.

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Comitê Central

22 de março de 2010

Revistacidadesol disse...

Obrigadíssimo. Vou publicar no meu blog.

Corrente Sindical Unidade Classista disse...

Eu é que agradeço pela atençaõ e interesse, camarada.
Estes e outros textos você pode acessar na nova página virtual do PCB
www.pcb.org.br

Além das notas políticas, você encontra textos sobre a conjuntura nacional e internacional atualíssimos, traduzidos por uma equipe do Partido, além de trazer vários links de Partidos Comunistas pelo mundo, solidarfiedade à Cuba e Venezuela, enfim, vale a pena estar ligado nesse novo sítio.

Existe um espaço para blogs dos amigos do Partidão. Enviei o endereço do Cidade do Sol para constar. O responsável é o Dario.

Força sempre!
Saúde e felicidades,

Daniel Oliveira
Sabará/MG

Revistacidadesol disse...

Eu fui ao site q vc está indicando para ler a última tese do PCB. Gostei da avaliação de conjuntura. O site é bom, vou enviar o link.

Abs do Lúcio Jr.

Revistacidadesol disse...

Daniel: um pessoal de minha cidade começou uma rádio que permanece sem legalização. Já começaram a ser perseguidos. A iniciativa é importante, pois a cidade não tem nenhuma rádio comunitária ou alternativa. O que seria possível fazer para ajudá-los?

Abs do Lúcio Jr.

Corrente Sindical Unidade Classista disse...

Oi Lúcio.
Tem um link na net que auxilia a regularização das rádios comunitários, inclusive trazendo a lei que versa sobre isso, formulários para registro, etc.

o endereço é:

http://comunitarias.sites.uol.com.br/

Espero que ajude. E depois da normatização, podemos discutir alguns programas. Contamos com poetas, músicos, historiadores. Caso tenha interesse, gravamos e divulgamos na rádio.
Pode ser a leitura de trechos de novos poetas mineiros, resenhas, músicas, informes, análises de conjuntura.

Seria bem interessante. Mantenha contato e parabéns pela mobilização.
É isso que faz a diferença no mundo, porque é autêntico, porque parte da comunidade, a mais estreita relação social existente. E porque da voz aos trabalhadores em meio ao hegemonismo da grande mídia.

Forte abraço e força sempre!

Daniel

Revistacidadesol disse...

Obrigado, Daniel! Vou repassar esse linque para o pessoal. Por enquanto, eles estão veiculando apenas rock alternativo e o sinal só chega até o trevo da cidade (não dá, portanto, interferência com nenhum aeroporto).

Abs do Lúcio Jr.

Revistacidadesol disse...

Oi, Daniel. O link era exatamente o que precisávamos aqui, mas não consegui abri-los; parece que a política da uol mudou. Vcs teriam outra sugestão?

Muitíssimo obrigado.
Abraços do Lúcio Jr.

Corrente Sindical Unidade Classista disse...

Oi Lúcio.
Encontrei o link da associação mundial de rádios comunitárias.
lá tem o endereço das associações nacionais e estaduais.
Espero que ajude.

http://amarc.brasil.flujos.org/

Forte abraço,

Daniel