sábado, 1 de maio de 2010

Ovação ao trabalho, ao trabalhador

Acredito no trabalho

No trabalho e no trabalhador

Trabalhador que sendo homem ou mulher

De qualquer outra definição que vamos criar de orientação sexual,

Que tendo possibilidades...

Acredito na redução das jornadas

Mas no aumento de outras,

Outras viagens, abstrações artísticas

Afirmo a palavra, palavra bruta

Saindo da pedra e do barro

lapidada na História

Sendo universal pra ser poesia, sendo local pra denúncia!

Acredito no olhar da mulher lavadeira,

O meu, de mulher, conjugado com o dela um só

Acredito na força das mãos

No trabalho suado, no intelectual forjado para a melhoria de ambos,

Acredito no trabalhador-estudante;

No estudante-trabalhador,

Na abertura voluntária,

E na obrigação revolucionária do agir;

Acredito na face envelhecida,

E nos pés dos bolivianos,

Nas vozes que soam no Himalaia,

E também nos cantos da Serra Pelada,

Na poesia em anexos,

feita na angústia da corrida do ônibus.

Ou na abstração feita num sentido.

Acredito na fera guardada no povo,

Na “perda de paciência”,

Na fúria saída dos ventres maternos,

Acredito no trabalhador de rosto escondido segurando um fuzil,

Nas “três flores da esperança”, esperança que ainda, só ainda não sabe escrever...

E também nas flores seguradas e jogadas,

Sendo assim ou assado estou com quem quer o outro.

Acredito na cidade, no campo e na fábrica!

Acredito no menino feito trabalhador,

Não invisível aos meus olhos no malabarismo do sinal de trânsito,

Na menina feita mulher antes do tempo, e,

desgraçada terá para nós outra graça socialista!

Acredito no tempo, na mudança,

Porque não há outra forma!

Acredito na organização das mãos dadas!

Na verdade dos que só podem juntar-se para dar emancipação ao mundo todo!

E também nas escolhas pensadas em abraços e punhos esquerdos levantados,

Com angústia e sorrisos,

Com arte, trabalho e vida,

Porque não há um só,

Seremos milhões, milhões de trabalhadores e palhaços,

Picassos e Tarsilas,

Será possível, é possível.

Porque o passado não nos cabe,

O futuro incerto demais,

Só o presente nos abrilhanta de realidade.

LAILA VIEIRA DE OLIVEIRA
Poetisa mineira e ativista social

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