segunda-feira, 22 de março de 2010

Trabalhadores em educação de Minas reivindicam aplicação do Piso Salarial


Apesar de não ter sido oficialmente convidado para a solenidade de inauguração da nova sede administrativa do Estado no dia 04 de março de 2010, o povo se fez presente através dos movimentos sociais que organizaram a primeira manifestação reivindicando melhores salários e condições de trabalho.

Os trabalhadores em educação do estado de Minas Gerais se reuniram no dia 16 de março para uma assembléia seguida de ato na nova sede do executivo mineiro. A paulatina precarização das condições de trabalho dos servidores assim como o recebimento de salários com piso abaixo do mínimo levou os educadores a dar uma resposta ao governador Aécio Neves e sua política de déficit zero. Nos últimos oito anos, o chamado “Choque de Gestão” não fez nada mais do que reduzir investimentos em saúde, segurança e educação em prol de uma política de austeridade de gastos. Esse modelo neoliberal se pauta na diminuição do estado e a liberdade de atuação dos setores privados. Há que se lembrar que nunca as empresas e os bancos privados em Minas Gerais lucraram tanto. Essa lógica se manifesta também nos chamados prêmios por produtividade, onde os trabalhadores recebem bônus de acordo com critérios estabelecidos pelo governo. Essa prática, além de não possibilitar ganho real, empurra a culpa do descaso do governo com a educação nas costas dos professores, que além de tudo, são colocados uns contra os outros a fim de desmobilizar a categoria.

Ainda que a propaganda oficial afirme o sucesso do “Choque de Gestão”, o que os educadores encontraram na nova sede, foi uma obra faraônica em que estimativas levantam gastos na ordem de 2 bilhões de reais. A opulência dos edifícios não mascara as reais intenções com as construções. Levar o administrativo do executivo para uma região que fica praticamente fora dos contornos da cidade visa desmobilizar qualquer organização social que intente contra o governador uma vez que não acontece dialogo direto com a população e a mídia dá o tom que lhe aprouver. Outra situação que chamou a atenção dos professores foi o grande aparato policial que acompanhou a manifestação. Cerca de 800 policiais, dentre eles policia montada e a tropa de choque devidamente preparados para um conflito, guardavam o entorno dos prédios da sede.

Mesmo com toda essa situação contrária, os mais de 3000 trabalhadores não se intimidaram e realizarão uma assembléia que estabeleceu a data limite de 08 de abril: se até lá, o governador não negociasse a implantação do Piso Salarial nacional de R$ 1312,82, os trabalhadores entrariam em greve por tempo indeterminado. Seguiu-se uma manifestação que circulou a Cidade Administrativa junto aos trabalhadores da Saúde, polícia civil e servidores públicos e para dialogar minimamente com a população, fechou-se uma pista da Rodovia por cerca de 30 minutos.

A causa é justa e é chegada a hora dos donos do poder aprenderem uma lição: são os professores e demais profissionais da educação que estão na linha de frente na batalha da construção da cidadania. Os trabalhadores em educação exigem respeito e valorização! A luta é de todos nós! A vitória não tardará!

Daniel Braga (Buzz) – Professor de História da REEMG (Ibirité) e militante da corrente sindical Unidade Classista/Intersindical

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