sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um olhar sobre as eleições 2009 do Sind-UTE/MG

Quando me solicitaram para fazer um breve balanço das eleições do Sind-UTE, inicialmente fiquei pensando não apenas no que foi o processo eleitoral de nosso sindicato, mas na conjuntura na qual ele ocorreu.



Nesses últimos anos o Governo Aécio aprofundou o sucateamento do ensino público no Estado. Para a população em geral, através da mídia, vendeu a imagem de um governo que investe na educação pública com a inclusão do ensino pré- escolar na grade do ensino fundamental, reformou diversas escolas em vários pontos do Estado e fez um grande alarde do “pionerismo” da distribuição de livros didáticos, apesar desses livros serem conveniados com o MEC.

Mas o que a mídia não divulgou foi o fato de que o salário dos trabalhadores (as) em educação continuou defasado, hoje é menor do que os salários do Estado do Rio e de São Paulo, acelerou a implementação do Módulo II, aumentando o tempo de trabalho do profissional na escola sem aumento salarial, impôs o prêmio por produtividade que condiciona os educadores a se adequarem às limitações impostas pelo Governo e induz à competitividade e a alienação do papel do educador e das obrigações do Governo e manteve a famigerada lei 100, que criou uma sub categoria de trabalhadores(as) que não possuem os mesmos direitos que os efetivos por concurso público e ilude com uma pseudo estabilidade que tende a acabar com o retorno dos concursos públicos.

Em geral nossa categoria além de estar mais dividida, está mais espoliada e envolta em um cenário de sucateamento e descrédito nunca antes vistos.

Todo esse cenário nós indicaria a possibilidade de uma campanha sindical que tratasse esse contexto com maior rigor e que encontrasse nos filiados uma maior ressonância. Mas o fato é que isso não ocorreu.

Apesar da Chapa de Oposição Muda Sind-UTE ter buscado tematizar todas essas questões de forma séria e propositiva, as demais chapas optaram por não aprofundar tal temática e se limitaram em reproduzir a dinâmica do marcketing local desprovido de debate político e do mais pueril coronelismo.

O resultado disso tudo já conhecemos. Uma votação com uma baixíssima presença de filiados nas urnas e diversos recursos feitos às Comissões eleitorais questionando a lisura do processo.
Talvez o dado novo desse processo foi a fissura no ninho da Articulação Sindical, corrente que há décadas dirige o Sind- UTE majoritariamente.

Chamo de fissura e não de racha ou outro termo similar, pois ainda não esta claro até onde vai a divisão interna da Articulação, divisão esta que ocasionou o surgimento de duas chapas que correpondiam ao mesmo campo ideológico e político.

Há algum tempo rumores de conflitos e choques entre os dirigentes da Artisind no âmbito da Direção do Sind- UTE já percorriam os corredores dos conselhos e chegavam cada vez mais retumbantes aos nossos ouvidos. Mas muito desta momentânea fissura ainda esta envolta em segredos de Estado, que talvez com o tempo irão se esclarecer ou se revelar caso a disputa ainda continue.

Disso tudo ficou a lição de que há algo de podre... E muito podre no reino da Dinamáquina, pois infelizmente foi em máquina burocrática a serviço de uma casta que a Artisind transformou o sindicato. Ao mesmo tempo nós da Oposição devemos refletir as parcas condições organizativas nas quais ainda nos encontramos. Essas debilidades não se corrigem em pleno processo eleitoral, ao contrário, elas se evidenciam nas contradições que vivemos no processo eleitoral.

Por sermos dispersos no Estado e não termos a mesma estrutura ao qual conta a Artisind, a disciplina, o planejamento antecipado e o trabalho metódico e persistente para a nossa organização tornam – se, para nós, metas cada vez mais necessárias a serem atingidas para um grupo de oposição que é tão diverso e que pretende ser uma alternativa real à crise de identidade pelo qual perpassa há anos o Sind- UTE.

A que se ressaltar que mesmo tendo ocorrido diversos interpérios em nossa campanha, conseguimos dois feitos relevantes.

Primeiro, conseguimos montar uma chapa que unificou todos os setores da chamada Oposição.
Segundo, conseguimos ampliar o número de conselheiros(as) junto ao Conselho Geral, fato que me enche de perspectivas de se potencializar uma retomada do debate classista e de ações que mudem os rumos do nosso sindicato.

Mesmo assim não será nada fácil superar os efeitos da crise pela qual passa o Sind- UTE. Os cerca de 30 mil votos depositados nessa eleição, em um universo de mais de 70 mil filiados demonstra o quanto o nosso sindicato está desgastado perante a categoria.

E infelizmente a competição com uma máquina tão pesada e inescrupulosa como é a concorrência com a Articulação Sindical, nos impôs significativos desafios, alguns deles superáveis com o tempo.

Mesmo assim fica o exemplo dado pelos (as) companheiros (as) de Juiz de Fora que graças ao trabalho de base que promoveram nos últimos anos e as acertadas ações nos períodos mais difíceis que a categoria vivenciou, conseguiram uma estupenda vitória que nos motiva a continuar lutando e trabalhando na perspectiva de transformar e restituir ao sindicato, um modelo combativo, classista e independente dos governos e patrões.

Por fim desejo aqui nesse breve balanço um feliz ano novo a todos(as) companheiros(as) do campo da oposição e a todos(as) aqueles que acreditam na mudança e mantém vivos a chama da esperança e da indignação contra o status quo do sistema capitalista em nosso país.

Abraços a todos (as);
Fábio Bezerra
INTERSINDICAL – UNIDADE CLASSISTA/MG

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