sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Divergência e luta - a construção da greve na RMEBH


Temos muitos motivos para fazer greve. Estes são de conhecimento de toda a categoria que vive diariamente a relação direta com a prefeitura, os problemas e a ausência cotidiana de soluções.

A "gripe suína" é mais um deles, pois a SMED não está preocupada com a possibilidade da mesma se alastrar nas escolas e os postos de saúde, lotados principalmente neste período, não conseguem atender a demanda das famílias por diagnósticos.

Engana-se quem pensa que a PBH ficaria feliz pela manutenção da greve, pois a SMED só se preocupa com o cumprimento fiel dos 200 dias letivos. A PBH adotou a postura de não alarmar a população e a suspensão das aulas iria ter efeito contrário. Se for para suspender as aulas, é melhor estar de greve, pois aí quem diz quando voltar e o que queremos para voltar somos nós. Quem diz como pagar também somos nós.

Mas na última assembleia abrimos mão desta forma de luta, e por incrível que pareça, resolvemos continuar com o nosso faz-de-conta que estamos lutando e marcar mais uma paralisação total sem indicativo de greve. Mas para quem serve a desculpa de não fazer greve por causa da gripe A H1N1? Para quem nunca quis fazer greve.

E aí encontramos os mesmos motivos de sempre: não posso suportar mais um corte de pagamento, mas pode suportar o reajuste 0; não tenho dias para pagar as paralisações e não quero trabalhar nos sábados, mas vai aceitar um abono para aumentar em 10 dias os sábados de trabalho; não posso chamar uma greve "a pesar da categoria"... e aí desiste-se de lutar de verdade para subir em um caminhão na Afonso Pena gritando palavras enquanto a manifestação não tem fôlego nem para apitar e as assembleias vão diminuindo cada vez mais. Impedimos as pessoas que realmente querem lutar, expondo os problemas para a sociedade por meio da greve, imobizando-as para o enfrentamento real. E a nova desculpa: a gripe suína.

Vamos trabalhar com ela nas nossas escolas, pois a PBH não irá tomar nenhuma providência, além das que já tomou (quase nada). Assembleias rápidas, com máximo de 5 falas, não garante discussão. Garante manifestação sem propostas. Somos contra as propostas do governo, mas não apontamos alternativas, apenas outra manifestação sem sentido e sem ânimo da categoria. Mas a visibilidade para outros eleitores que não são da educação também é importante para alguns.

Qual o fato novo existente do final do semestre passado para este? Propostas concretas da PBH, desconsiderando nossa pauta de negociação e propondo ações já recusadas pela categoria. Mas o que aconteceu na última reunião de representantes? Retiramos deles este argumento que poderia levar a categoria para a greve. Como isto ocorreu?

Fizemos um levantamento do ânimo da categoria para a greve, antes de informar e avaliar com a categoria as propostas. Assim, os representantes chegaram nas escolas na quinta-feira com o desânimo, ao invés da indignação. E esta foi uma escolha da grande maioria da diretoria do sindicato: proporcionar o desânimo no lugar de outros sentimentos que nos movem e nos fazem contestar. E o mais grave, parte da diretoria se recusava a defender esta proposta, jogando para os representantes a responsabilidade de sepultar o movimento.

Basta, por exemplo, perceber que a única posição expressa no boletim da Assembleia era do Coletivo Travessia que vem defendendo a capacidade de greve da categoria a duras penas! É com tristeza que termino este desabafo, afirmando que respeito as decisões da categoria e por isto estaremos na assembleia sem sentido do dia 16 de setembro. Teremos mais um corte de pagamento como toda a categoria, e na nossa visão, por nada.

Foram 7 cortes, que se fossem em greve teríamos mais de uma semana de luta. Outras categorias conseguiram reajuste, mas nós, nestas paradas teatrais de péssima qualidade, ficamos com reajuste 0 e mentiras na mídia para engolir.

Cristiane e Thaís

" A árvore quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira."Provérbio árabe - e os antigos companheiros nas GEREDS e SMED fazem bem o papel de cabo de machado, e até mesmo algumas pessoas na categoria e diretoria do sindicato!

Nenhum comentário: