domingo, 15 de março de 2009

NOVELA MALDITA


Há quem adore na mesma proporção dos que detestam. E todos têm suas razões, sejam políticas, artísticas ou estéticas. Entretanto uma coisa é certa: as novelas sempre oferecem duas ótimas metáforas: pelos temas que abordam e pela própria estrutura folhetinesca. Qual o sucesso de audiência que não tem seus núcleos (pobres, ricos, subúrbios, zona sul, cultos, iletrados) ? Qual delas não tem aquela estrutura narrativa padrão e linear (apresentação, desenvolvimento, conflito, desenlace), com suas ações e intrigas, entrelaçamento de núcleos e outros artifícios que fazem a alegria imensa dos que gostam e provocam o ódio dos opositores ?

Acostumamo-nos tanto com as novelas, que passamos a idealizar a vida naquele formato. Sobretudo a linearidade, que evita os sobressaltos nos corações mais sensíveis. Porém a vida não é assim, não é mesmo ? Das idealizações sobrevivem apenas... as metáforas, mitificação do ideal.


Melhores e piores... Top of mind...

Então vamos nos valer exatamente disso. Auxiliares – pela infeliz definição gerada pela nomenclatura no imaginário de alguns – têm a característica do secundarismo. Não são os protagonistas. Muito longe dos Chicos Cuocos, Tarcísios e Glórias, cabe-lhes o papel coadjuvante. A visão menos treinada para perceber a igualdade humana e mais atinada para as representações acaba por compreender de forma errônea, alienada – quase lisérgica – uma realidade que já não existe mais.

Atenção, “Cultura Escolar”: é tempo de despertar ! Somos todos protagonistas: de nós mesmos, de nossos núcleos sociais, de nossas famílias, de nossa classe ! NÃO EXISTE SERVIDOR DE PRIMEIRA OU SEGUNDA CATEGORIA. Não existem principais e secundários na grande cena da realidade. Porque a vida... não é novela.



Dalits

Muitos de nós tivemos a possibilidade do acesso aos livros, às bibliotecas de nossas escolas, lembram ? Descobrimos o Fernão Capelo, o Cabo de Vassoura, a Borboleta Atília, Pedrinho, Narizinho, Emília, etc no “sacrossanto e quase metafísico universo das bibliotecas”. Agora nós, olhando o passado, mirando o futuro, perguntamos: é correto aceitar que as bibliotecas, núcleo aglutinador de conhecimento, por excelência e função, sejam utilizadas pelo descontrole político-pedagógico verticalizado como "cantinho de castigo" (olhem que absurdo: "se não se comportar vai de castigo para ler na biblioteca !"), da mesma forma que são utilizadas para aulas de reforço, intervenção, depósito de livro didático, de material de limpeza, depósito de despejos gerais, espaço de reuniões diversas, etc, etc, etc. ? É isso o que desejamos ?

É correto aceitar que auxiliares de biblioteca tenham reajustes percentuais inferiores a quase todos os outros segmentos de UMA MESMA CATEGORIA como já ocorreu no passado ? E o “patrãozinho” ? O que acharia o Núcleo de Bibliotecas se visitasse uma biblioteca entulhada de materialidades alheias à função da mesma ? Ou será que eles sabem e: não se importam/não percebem o dano às crianças/acham que tudo é normal/acham que os números gerais compensam "dificuldades pontuais"/fingem não perceber ?

Não dá mais. Pelo que representamos, pelo que o espaço biblioteca escolar representa e pela responsabilidade de gerar a capacidade dos indivíduos desenvolverem raciocínios próprios (ao contrário de repetir movimentos e pensamentos alheios), não dá mais...

Dalitis, não !


Coletivo Lima Barreto
http://www.coletivolimabarreto.blogspot.com/
coletivolimabarreto@yahoo.com.br

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