quarta-feira, 4 de março de 2009

CAMPANHA SALARIAL PBH/2009: ORGANIZAR A CATEGORIA PARA ENFRENTAR ANTIGOS DESAFIOS


Iniciamos mais uma campanha salarial. Além do reajuste dos salários, diversas questões permanecem em nossa pauta de reivindicações como pendências: gestão democrática, tempo coletivo, política de saúde do/a trabalhador/a, os cursos de pós-graduação, a isonomia de tratamento e salarial entre professoras/es e educadoras/es infantis, autonomia de organização sindical. Surgem também novos problemas como a excedência de professores/as de disciplinas específicas na “antiga” 5a.série.
A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED) a cada dia adere a passos galopantes ao projeto “Todos pela Educação”, modelo empresarial para a escola pública brasileira. As propagandas governamentais continuam insistindo em mostrar algo novo no ar, mas já deu para perceber que tal novidade são antigas fórmulas, já testadas, algumas com sucesso, outras extremamente limitadas como a reprovação automática.
Mais uma vez, a SMED adota a política de não ver, não ouvir, não falar com os/as trabalhadores/as da educação municipal. Construir uma escola pública de qualidade sem a participação dos/as profissionais das escolas é uma antiga fórmula fadada ao fracasso.
Afinal, nos últimos trinta anos temos construído, cotidianamente, alternativas pedagógicas para garantir o direito de aprender das crianças, jovens e adultos da classe trabalhadora. Foram as experiências realizadas de forma transgressora nas escolas municipais que deram origem ao projeto Escola Plural. Obviamente, ao institucionalizar as experiências das distintas escolas, o governo fez opções que reduziu o leque de concepções. E os governos seguintes não tiveram a ousadia de realizar um debate profundo com a cidade para enfrentar os limites daquele projeto e construir uma proposta pedagógica comprometida com a classe trabalhadora da nossa cidade. Falou mais alto a economia dos gastos com a educação, inclusive com a redução de 5% do percentual da receita nesse setor.
Agora, diante de uma grave crise financeira do capitalismo, certamente ouviremos que haverá redução nos gastos públicos. Mas, para garantir “o bom funcionamento da máquina estatal” os gerentes já tiveram o seu quinhão. O prefeito ganha hoje R$633,00 por dia, e os/as secretários/as R$433,00. Este é o preço pago para que imponham a lógica do PSDB na administração pública municipal.
Nos últimos anos a PBH tem perseguido e tentado desarticular a nossa categoria. Respondemos com firmeza mantendo a sede e as funcionárias e funcionários da nossa entidade. A garra da categoria permitiu o acerto de todas as dívidas. Foi uma grandiosa demonstração de força, garra e coragem. Dissemos em alto e bom som que somos senhores e senhoras do nosso destino.
Por isso, nesta campanha salarial de 2009 precisamos rearticular a nossa força, garra e coragem para enfrentarmos a “nova velha política” em curso. Temos muitos desafios: reconstruir nosso tempo coletivo de trabalho e reflexão, além de publicizar os projetos pedagógicos que temos realizado em nossas escolas, e as pesquisas sobre o nosso trabalho na rede municipal.
Neste sentido, defendemos que nossa campanha salarial incorpore um grande movimento de divulgação dos trabalhos e pesquisas dos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Vamos procurar jornais e revistas, impressos e eletrônicos, para divulgar a escola municipal e suas experiências de sucesso. Acreditamos que esta estratégia é fundamental para reconstruirmos a escola pública como um direito de todos e combatermos a visão neoliberal de que os serviços públicos são ineficientes e, portanto, devem receber menos recursos. Colocamos à disposição da categoria o nosso site para a divulgação de pesquisas e projetos realizados pelo coletivo e/ou pessoas das escolas municipais. Os projetos, textos e avaliações podem ser enviados para o e-mail coletivo.travessia@bol.com.br

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