quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS


O mundo vive sob uma grave crise econômica. No início, governos e economistas famosos insistiram que se tratava de uma crise no mercado imobiliário norte-americano. Porém, com a falência de bancos e de grandes empresas, queda das bolsas de vários países, a recessão nos Estados Unidos, Europa e Japão, não há como negar a profundidade da crise e de que sua duração será de longo prazo.

Diante desta crise os governos do mundo inteiro têm utilizado o dinheiro público para socorrer os donos dos bancos e das grandes empresas. Parece até que os banqueiros e os grandes empresários são pessoas miseráveis e que se não receberem esses bilhões dos governos vão morrer de fome ou pedir esmolas nas ruas.

Por outro lado, cresce o número de desempregados no mundo e em particular no Brasil (foram mais de 1,5 milhão até janeiro). Os empresários receberam dinheiro público e o utilizaram para demitir. Esse dinheiro público vai faltar na saúde, educação, Reforma Agrária, e moradia, neste sentido já houve o corte de 37 bilhões de reais pelo governo Lula. A CRI$E CHEGA FORTE EM MINAS GERAISCapital Nacional do Desemprego. Este é o título dado à região metropolitana de Belo Horizonte pela grande imprensa, comentando as 64.246 demissões ocorridas em Dezembro, o que em termos relativos é a maior do país. Descontando as contratações, BH perdeu 21.059 postos de trabalho, ou 1,64% do total. (O Estado de SP, 25/01)

Em Minas Gerais a queda da produção industrial e o rebaixamento dos índices de crescimento econômico são fatos inegáveis. O aumento das taxas de desemprego e as medidas propostas pelas grandes empresas e indústrias de redução de salários e direitos atormentam a vida dos trabalhadores e do povo em geral. Esta crise não tem limites, ou seja, não é de curta duração e não se restringe a setores específicos da economia.

No estado a situação é grave. Cerca de 200.000 trabalhadores foram demitidos somente em Dezembro, totalizando uma perda de 88.062 postos de trabalho. As empresas siderúrgicas, metalúrgicas e mineradoras são as que mais estão demitindo e a indústria mineira já teve uma retração de 25% de seu PIB.

Ou seja, na época das "vacas gordas", os empresários tiveram lucros recordes, sem que isso se revertesse em benefícios para os seus trabalhadores. Agora com a crise, querem fazer com que os trabalhadores paguem a conta, através de suspensão de contrato de trabalho, redução de salários e de direitos, banco de horas e etc, com a desculpa de amenizar o volume de demissões.

A Vale, por exemplo, segunda maior mineradora do mundo, que lucrou 25 bilhões de dólares em 2008 e tem 15 bilhões de dólares em caixa, está demitindo, cancelando contratos com terceirizadas e agora propõe uma "licença remunerada" que vai reduzir pela metade o salário de seus funcionários, enquanto quer remunerar seus acionistas (61% deles estrangeiros) em 2,5 bilhões de dólares! (Fonte: http://www.vale.com.br/)A FIAT de Betim, maior unidade industrial de Minas, já demitiu cerca de 8 mil trabalhadores diretos e em suas empresas terceirizadas, gerando uma crise em todo o setor de autopeças.

A Belgo Bekaert, do grupo Arcelor-Mittal, uma gigante do setor siderúrgico, demitiu 200 e aprovou a suspensão do contrato de trabalho de 1.300 funcionários por 1 ano, pagando 55% do salário, enquanto o governo federal injeta dinheiro para cobrir o restante.

CONTRA A CRI$E, O CAMINHO É A UNIDADE NA LUTA!

Não podemos aceitar que esta situação continue. É preciso que o governo federal, estadual e as prefeituras tomem medidas no sentido de garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores.

Acreditamos que apenas uma luta forte, tenaz e unificada pode fazer ouvir e valer os nossos direitos. Vamos apoiar e dar continuidade à luta dos trabalhadores da Vale de Itabira e Congonhas; dos metalúrgicos do ABC e de São José dos Campos; de todos os trabalhadores que lutam contra as demissões e em defesa de seus direitos.

Por isso, chamamos todos os trabalhadores de Minas Gerais, a sociedade civil organizada, entidades e lideranças políticas, sindicais e comunitárias, igrejas, associações de moradores e movimentos sociais a juntar-se a nós na luta por:

1. Nenhuma demissão. Reintegração de todos os trabalhadores demitidos;

2. Pela manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta;

3. Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salário, para que todos possam trabalhar;

4. Que os governos federal, estadual e as prefeituras tomem medidas que garantam a estabilidade no emprego por 2 anos; Mudança do modelo econômico neoliberal.

5. Isenção de tarifas da CEMIG, COPASA e passe livre para os desempregados;

6. Extensão do seguro desemprego para 2 anos;

7. Pela reestatização da Vale e estatização das empresas que demitirem massivamente;

8. Nenhum corte no Orçamento Público de Minas e dos Municípios em 2009;

CONLUTAS, INTERSINDICAL, MLC, MST, Via Campesina Minas Gerais, FSDMMG, BRIGADAS POPULARES, MLB, Ocupação Camilo Torres, SJPMG – Sindicato dos Jornalistas, SINDIFISPMG, SINDEESS, STIGMG, SINDREDE-BH, SINTAPPIMG, SINDUTE-Subsede Contagem, DCE UFMG, AMES-BH, UJC, UJR, PSTU, PCB, PSOL, PCR

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