terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mobilização contra a Crise: Itabira (MG) pára contra demissões


No dia 09 de janeiro as manchetes dos dois principais jornais de Minas Gerais apresentaram a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da Vale (Companhia Vale do Rio Doce) contra as demissões de mais de 1500 trabalhadores desde o início da Crise Financeira.

Itabira localizada a 110 quilômetros de Belo Horizonte com cerca de 105 mil habitantes é o berço da mineração em Minas Gerais. Mais de 70% da arrecadação do município gira em torno da atividade mineradora. Em Itabira, existem 7200 empregados diretos e terceirizados da Vale. Os sindicatos calculam que 1560 trabalhadores já foram demitidos e que poderá haver novas demissões.

Durante o dia 08 de janeiro a Frente em Defesa do Emprego e das Cidades Mineradoras – formada pelos movimentos sindicais, populares, entidades civis, Igrejas e autoridades públicas – organizaram uma jornada de lutas com as seguintes bandeiras:

Nenhuma demissão, estabilidade no emprego para os trabalhadores da Vale e os terceirizados. Pela readmissão dos demitidos.

Pela manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta.

Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salário, para que todos possam trabalhar.

Manter a produção em níveis normais e compensação financeira da Vale aos municípios mineradores, para manter a arrecadação atual.

Se a Vale recusar garantir a estabilidade e demitir em massa que seja reestatizada, sem indenização.

Criação de Frentes de Trabalho para a absorção dos desempregados.

Na parte da manhã o Sindicato METABASE junto com representantes de partidos de esquerda, sindicalistas e militantes de movimentos sociais e populares tentaram paralisar a Mina de Conceição da Vale em Itabira realizando um protesto com cerca de 150 pessoas. Com forte aparato policial e muita intimidação feita aos operários a Diretoria da Vale em Itabira conseguiu abortar a paralisação.

Durante o protesto o camarada Túlio Lopes, representando o Comitê Estadual do PCB e a União da Juventude Comunista - UJC saudou os trabalhadores e as trabalhadoras da Vale de Itabira, seu sindicato de luta e as entidades dos movimentos sociais e populares que construíram a mobilização e disse que “os trabalhadores devem responder os efeitos da Crise Econômica Mundial com unidade, mobilização e muitas lutas”.

Na parte da tarde os manifestantes se reuniram na Praça Acrísio onde houve uma concentração Cívica com Atividades artísticas e Culturais e uma Tribuna Popular aberta às entidades dos movimentos sindicais, populares, religiosos, culturais, e demais segmentos da sociedade civil.

No final da tarde os manifestantes (mais de duas mil pessoas) marcharam até a Praça da Rodoviária onde houve um ato público promovido pela Frente em Defesa do Emprego e das Cidades Mineradoras.

Segundo Paulo Soares de Souza (Presidente do Sindicato METABASE) “além das demissões a Vale quer flexibilizar direitos trabalhistas e reduzir salários”.

A mobilização contou, dentre outras organizações, com a presença da Central Única dos Trabalhadores, da Coordenação Nacional de Lutas e do Movimento Nacional das Fábricas Ocupadas.

Por César Dias - EXPRESSO VERMELHO – Janeiro de 2009.

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