quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Coletivo Lima Barreto


Somos um coletivo formado pelos Auxiliares de Biblioteca Escolar no Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte. Se você é Auxiliar de Biblioteca, está no lugar certo. Se não é, seja bem-vindo(a) e intere-se sobre a nossa luta.




Na Bruzundangaera assim: "(...) toda a vez que um artigo ferir interesses de parentes de pessoas da‘situação’ ou de membros dela,fica entendido que não tem aplicação (...)". Lima Barreto

Um louco, um alcoólatra, um jornalista andarilho urbano sempre atento às injustiças e massacres sociais, funcionário público. DISCRIMINADO: negro e brasileiro.

Não é por acaso que o grande escritor (Os Bruzundangas, Triste Fim de Policarpo Quaresma, A Nova Califórnia e Outros Contos, Recordações do Escrivão Isaías Caminha entre outros) foi escolhido como um"patrono sentimental" do nosso coletivo. Tido como "o sucessor" do mestre Machado, Afonso Henriques de Lima Barreto não desceu na goela da sociedade branca do início do século XX: saudosada escravatura.

Pancada após pancada, derrubaramBarreto do posto que sempre deveriater ocupado na literatura nacional, reduzindo-o a um monte de carne humana que morreu, aos 36 anos de idade, encarcerada em um hospício de subúrbio, não sem antes deixar registrada a obra Cemitério dos Vivos na qual assim relata sua passagem pela"clínica de loucos da Praia Vermelha":"(...) que, por ele, me punha na rua. Voltei para o pátio. Que coisa, meu Deus! Estava ali que nem um peru, no meio de muitos outros, pastoreado por um bom português, que tinha um ar rude,mas doce e compassivo, de camponês transmontano. Ele já me conhecia da outra vez. Chamava-me você e me deu cigarros. Da outra vez, fui para a casa-forte e ele me fez baldear a varanda, lavar o banheiro, onde me deu um excelente banho de ducha de chicote. Todos nós estávamos nus, as portas abertas, e eu tive muito pudor. Eu me lembrei do banho de vapor de Dostoiévski, na Casa dos Mortos. Quando baldeei, chorei; mas lembrei de Cervantes, do próprio Dostoiévski, que pior deviam ter sofrido em Argel e na Sibéria (...)".

Após sua morte, e diante da irrefreável popularidade do escritor, a sociedade racista tentou embranquecer Lima Barreto como condição de sua reabilitação. Lima Barreto,tal como pretendido pelos salões das elites. Não deu certo... Hoje nós sabemos que o negro Afonso Henriques de Lima Barreto foi mais um super-herói brasileiro.


Alexandre Campinas

Auxiliar de biblioteca da RMEBH

Coletivo Lima Barreto

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