quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mas a história não tinha acabado?...

"Uma palavra repetida várias vezes e que vem se destacando acerca da crise atual é confiança. A palavra é repetida com tamanha convicção como se a "confiança" pudesse simplesmente chover do céu ou crescer em grande abundância em árvores financeiras "capitalistamente" bem adubadas."
István Mészáros


Assim como a crise financeira, as eleições nos Estados Unidos foram noticiadas de forma exaustiva. No dia da eleição alguns jornalistas, na melhor tradição da teledramaturgia mexicana, se contorciam de prazer com o que chamavam de o regime mais democrático do mundo. Até aí tudo bem, cumprem seu papel, são pagos para isso. Por isso cabe a imprensa alternativa estabelecer uma análise crítica. Somente cego pela propaganda disseminada pelos meios de comunicação, para crer que Obama, apenas por ser negro e vir das classes mais empobrecidas, possa deixar de seguir a lógica da elite. Basta esperar e já vamos ver suas posições sobre o Iraque, Afeganistão, Palestina,Venezuela, Cuba, só para citar alguns exemplos. O tempo dirá.
Carlos Drummond de Andrade disse uma vez que a história era feita de homens e mulheres presentes, e que a matéria de sua obra poética era o tempo presente. Hoje, esse tempo nos traz talvez a mais pontual indagação; nada menos do que "salvar" (ou não) o sistema. A saída que encontraram, trilhões de dólares, dinheiro público "dado", e justificado em nome da incontestável boa causa de salvar o sistema, provavelmente não funcionará eternamente, pois é preciso muito mais do que emitir dólares para escapar do buraco sem fundo do endividamento mundial a que estamos condenados, por esse mesmo sistema que eles agora querem salvar a todo custo.
A imensa expansão especulativa, especialmente nos últimos 30 anos, é inseparável do aprofundamento da crise dos ramos produtivos da indústria e seus resultados no campo financeiro. Agora, também no ramo da produção industrial a crise está ficando muito pior.
Imaginar que dentro da contraditória estrutura capitalista tal salvação será encontrada é a pior espécie de pensamento ilusório, beirando a irracionalidade total. Eis porque Marx é mais relevante hoje do que alguma vez já o foi. Pois apenas uma mudança revolucionária pode proporcionar a esperança historicamente sustentável e uma solução para o futuro.

Vou contigo para onde A vida flor / Eu sou você / E sou eu / E sou todos nós / Somos o nó da corda / Que não se desenlaça / Com espada / Somos a garantia do futuro.

Daniel Oliveira é auxiliar de biblioteca da EMJC, poeta e militante da Corrente Sindical Unidade Classista/Intersindical

Nenhum comentário: