domingo, 9 de novembro de 2008

120 mil professores protestam contra o governo em Portugal




Mais de 120 mil professores protestaram neste Sábado em Lisboa, na maior manifestação de sempre realizada em Portugal por uma classe profissional e que ultrapassou em número de presentes a marcha da indignação realizada há oito meses. A manifestação, para além de recusar a avaliação burocrática de desempenho, constituiu uma censura ao governo e à sua política de educação. A ministra, arrogante como sempre, reafirmou em conferência de imprensa que não suspende a avaliação.
O portal esquerda.net fez em directo reportagem da manifestação dos professores, entre as 15 e as 18 horas. Só a essa hora (18 horas) é que a cauda da manifestação saiu do Terreiro do Paço.
Nas entrevistas realizadas as professoras e os professores foram unânimes na rejeição da avaliação de desempenho, que os prende numa teia de preenchimento de papelada burocrática, que os ofende e que lhes retira tempo necessário para a preparação das aulas.
Os docentes são também unânimes a considerar que esta avaliação de desempenho é na verdade um ataque à Escola Pública.
A ministra da Educação, em conferência de imprensa dada no Porto cerca das 17 horas e na forma arrogante que costuma usar, declarou que "já viveu momentos mais críticos, que não aceita suspender o processo burocrático de avaliação e afirmou que os professores não querem ser avaliados.
Todas as professoras e professores entrevistados pelo esquerda.net foram unânimes na afirmação de que querem ser avaliados, mas rejeitam uma falsa avaliação, burocrática, que só visa dividi-los e na prática põe em causa a Escola Pública.
A demissão da ministra foi reivindicação unânime dos professores, que lutam contra: a avaliação burocrática de desempenho; o concurso de colocação de professores; o novo regime de gestão e administração escolar; o Estatuto da Carreira Docente, que divide os professores.
Os protestos dos docentes vão continuar.









Ultrapassando em dimensão a gigantesca mobilização do último 8 de Março (mais de 100 mil), esta manifestação ampliou o que na anterior era já absolutamente excepcional: a concentração conjunta da esmagadora maioria dos membros de uma classe profissional, um gigantesco e combativo plenário, uma classe profissional em peso levantada em defesa dos seus direitos e da sua dignidade e do próprio sentido cívico da sua profissão.
Manifestação de professores
É este o resultado da gestão incompetente, retrógrada e autoritária do Ministério da Educação do Governo Sócrates, da sua política de destruição de direitos e de afrontamento do próprio núcleo de liberdade que é intrínseco ao processo de ensino e de aprendizagem e à escola pública em concreto.
A Ministra da Educação reagiu com o cinismo e o obstinado autoritarismo que são usuais neste Governo. Manifestou-se disponível para "dialogar", mas reafirmou nada ter a alterar nas políticas que vem seguindo, particularmente no que se refere à avaliação dos professores segundo um modelo por estes rejeitado como inoperacional, não fundamentado e inerentemente injusto. Insultou as organizações sindicais e os próprios manifestantes. Deu um novo passo no prosseguimento de um confronto que ameaça bloquear todo o sistema de ensino.
Esta grandiosa ação de massas é uma expressão inequívoca do significativo estreitamento da base social de apoio a este Governo, que nenhuma "sondagem" poderá ocultar. O seu imenso e justo clamor é por um ensino e por uma esperança de futuro para os professores e a escola pública portuguesa.
O Diario.info
No fim da maior manifestação de sempre dos professores, o líder da Fenprof e porta-voz da Plataforma Sindical reconheceu que "neste momento, não há espaço para meios-termos e não há entendimento possível. Da nossa parte, não há nenhuma abertura para nada que não seja a suspensão imediata". Mário Nogueira apelou aos professores para que parem a avaliação e o plenário aprovou protestos no fim de Novembro e uma greve nacional para 19 de Janeiro, no segundo aniversário da publicação do Estatuto da Carreira Docente. Veja aqui os vídeos da reportagem esquerda.net.

Ao anunciar a saída da Plataforma comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, Mário Nogueira disse que a ministra sofre de "analfabetismo político", por não ter "capacidade democrática para interpretar o significado das manifestações". Maria de Lurdes Rodrigues reagiu à contestação sem precedentes da classe reafirmando que não recua na aplicação do seu modelo de avaliação e acusando os professores de estarem a agir em função das eleições legislativas que se aproximam. Suspender a aplicação deste modelo de avaliação "não tem sentido nenhum”, no entender da ministra, que também se pronunciou sobre a greve anunciada, dizendo que “não será a primeira nem a última”.




Na resolução aprovada, os professores presentes comprometeram-se a recusar "concretizar qualquer actividade que conduza à instalação ou desenvolvimento do modelo imposto pelo Ministério", promovendo moções em cada escola para a suspensão do processo. E também aprovaram "protestos descentralizados" para o fim deste mês: dia 25 nas capitais de distrito do Norte, 26 no Centro, 27 na Grande Lisboa e 28 no Sul.




A greve nacional de professores e educadores ficou marcada para dia 19 de Janeiro, o Dia Nacional de Luto dos Professores e Educadores Portugueses, quando se completam dois anos sobre a publicação do Estatuto da Carreira Docente. Fica em aberto a realização duma greve ainda até ao fim do primeiro período lectivo, "caso o Ministério da Educação não suspenda a aplicação da avaliação de desempenho e não recue em matéria de concursos".




Outro ponto da resolução aponta para a realização duma Marcha Nacional pela Educação "que envolva, para além dos professores, pessoal não docente das escolas, estudantes, pais e encarregados de educação, bem como todos os que considerem indispensável a profunda alteração do rumo da actual política educativa". A Plataforma Sindical ficou mandatada para estabelecer contactos para que esta Marcha aconteça no decorrer deste ano lectivo.




A avaliação dos professores e a reacção da ministra aos protestos juntou a maior parte da classe e toda a oposição contra Maria de Lurdes Rodrigues. "A ministra está aflita e o Governo está aflito. Pensam que de uma forma ditatorial e prepotente conseguem impor regras nas escolas", disse Francisco Louçã que também esteve na manifestação dos professores. Louçã classificou o modelo de avaliação do ministério da Educação como "incompetente, disparatado e prejudicial para escolas, professores e alunos". Quanto à estratégia para derrotar a avaliação nas escolas, Louçã defendeu que "a suspensão escola a escola dá mais força aos professores. É agora que têm de vencer a ministra e o primeiro-ministro", concluíu o dirigente bloquista.

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