domingo, 26 de outubro de 2008

HOMENAGEM AO EDUCADOR HORÁCIO MACEDO

Horácio Cintra de Magalhães Macedo (Rio de Janeiro, 14 de outubro de 19251999) foi químico, comunista, professor brasileiro e reitor.
O professor Horacio Cintra de Magalhães Macedo foi um dos grandes defensores da universidade pública de qualidade para todos. Em 1985, foi o primeiro reitor democraticamente eleito no Brasil (UFRJ 1985/89), sob a bandeira do ensino público, gratuito e autônomo. Compatibilizou ciência e política como poucos intelectuais o fazem hoje, incondicionalmente inscrito na utopia de um Brasil socialmente mais justo, democrático, livre e soberano.

"Horacio era um homem do século 21,da sociedade socialista, justa e igualitária".
Palavras de Annita Macedo, sua esposa.


Destaque 'Artigo escrito por Horácio Macedo sobre Universidade'

A UNIVERSIDADE NUM PAÍS PERIFÉRICO

A universidade seria necessariamente pública e gratuita. Pública para que fique patente a responsabilidade de o Estado manter esta instituição de modo que possa ser um exemplo da ação socializante e eficaz do poder central; de modo que se possa ter uma planificação, em nível nacional, das suas atividades; de modo que a ação universitária possa servir de base a programas governamentais de cunho social.
Não se exclui, como é óbvio, que esta universidade tenha entrelaçamento multiforme e sólido com o sistema produtivo, subordinando-se, no entanto, este entrelaçamento aos objetivos sociais da universidade. Será gratuita para que todo o encargo de manutenção seja do Estado; para que não exista a barreira do pagamento a alijar os que não dispõem de recursos.
Será uma universidade diferente no processo de formação dos estudantes. Competente, moderna, avançada nos conhecimentos. Mas comprometida, preferencialmente, com a pesquisa de soluções para os problemas das populações periféricas, com os trabalhadores.
Formaria um médico altamente capacitado mas capaz de trabalhar nas condições precárias do interior do país ou de um aglomerado urbano favelizado. Formaria um engenheiro moderno e profissionalmente competente mas capaz de encontrar as soluções eficientes, baratas e operacionais, para os problemas de saneamento, de transporte de grandes massas, de construção de casas em grande número, de geração de energia a baixo custo, de aproveitamento de materiais não convencionais. E formaria o agrônomo capaz de organizar e multiplicar as culturas de subsistência, e o químico que iria produzir os fármacos exigidos pelos planos de saúde social, e assim por diante.
Tudo isto a ser feito com competência e sabedoria na condução e na resolução dos problemas. Uma universidade assim teria que ser democrática.
Não no sentido de que se tenham eleições de dirigentes com a participação de professores, estudantes e funcionários; não no sentido de que se tenham colegiados como representantes dos três segmentos. Nem com o sentido da decisão coletiva. Estes são pressupostos básicos mas certamente de curto alcance. Se só eles vigirem, a universidade pode até fechar-se em si mesma por força da prevalência dos interesses corporativos e cartoriais. E preciso que, além deles, haja uma participação real da sociedade — e em especial das organizações dos trabalhadores, das comunidades, da sociedade civil organizada, do poder central - nos órgãos decisórios.Não uma participação simbólica e fictícia; mas a participação capaz de influenciar os rumos e objetivos da política de cada universidade pública.
Propõe-se, assim, uma universidade dos trabalhadores? Não e não. A universidade será dos trabalhadores quando a classe dominante forem os trabalhadores. Propõe-se uma utopia que pode ser construída pelo caráter intelectual da instituição. Utopia que é a de se colocar a serviço das classes dominadas uma instituição pertinente ao aparelho das classes dominantes. Se esta utopia pode ou não ser construída, a resposta será do futuro. O presente impõe a tentativa de construí-la.
Em Aberto [7], Brasília, ano 8, n. 43, jul./set. 1989.



Um comentário:

maria da gloria disse...

MEU NOME É MARIA DA GLÓRIA ERMIDA E EU FUI ALUNA DE FISICOQUÍMICA DO MESTRINHO( NÓS O CHAMÁVAMOS ASSIM E ELE A TODOS NÓS DE MESTRE),ELE ERA GENIAL, ESPECIAL, O MELHOR DE TODOS COMO PROFESSOR, COMO CIENTISTA, COMO CIDADÃO,UM SER HUMANO QUE FEZ A DIFERENÇA EM TUDO E POR TUDO.
FIQUE COM DEUS MESTRINHO, AQUI ENTRE NÓS VOCÊ FEZ MUITO BEM A SUA PARTE.